quinta-feira, 27 de junho de 2013

HADDAD

Em 1985, os irmãos Haddad fundaram o primeiro estúdio de múltiplos canais de Vitória: o Studio Um, que mantiveram em intensa atividade até 1990, gravando demos e discos para músicos independentes e produzindo jingles publicitários.
Em 1988, gravam o LP "Gustavo Haddad", somente con músicas próprias, fortemente influenciado pelos grupos progressivos ingleses dos anos 70, em especial Pink Floyd, Camel e Supertramp.
No começo dos anos 90, a banda "Haddad" é fundada pelos irmãos Gustavo e Leandro Haddad (Teclados + voz e violao + voz, respectivamente), pelo saxofonista José "Zezito" Haddad e pelo guitarrista Paulo Pelissari. Era o começo de uma longa parceria que gerou grandes frutos.
Por ordem cronológica, temos o cd "Haddad" de 1991, o pontapé inicial nessa jornada que já dura mais de 17 anos. Apesar de contar com um baixo orçamento para a produção, esse CD guarda algumas das mais belas músicas da banda ("Canção da Palestina", "Para Gary Moore"), rock empolgantes ("Chuck rocker", "Charles fourier") e as primeiras experiências com orquestrações ("A minha história é o absurdo, baby"), que viriam a se tornar um trunfo e marca registrada da banda.
Na seqüência, temos o cd "Blues e outros bichos" e "Deuses, Anjos, Homens e Bestas", ambos de 1997. Nessa época é que se juntam a banda o baterista Eric Carvalho e o baixista Rubens Oliveira, formando, assim, a formação clássica da banda.Os dois cd’s são tidos como gêmeos, por originalmente terem sido pensados como apenas um. Entretanto, verificou-se a grande discrepância de estilo entre certas composições, ora pendendo para o blues, ora para o rock progressivo. Isso acabou por gerar a divisão nos dois discos que, embora feitos na mesma época, tinham propostas completamente diferentes.
”Blues e outros bichos” traz pérolas do blues rock como "Madness", "Camburi Blues" (música com qual a banda haddad ganhou o festival de música da UFES de 1987), "Confuso carneiro" e "I'm leaving you". Imperdível!
Seu irmão gêmeo, como já dissemos, traz uma proposta quase que oposta, focando o rock progressivo. O disco recebeu diversos elogios da comunidade do prog rock nacional e internacional até, recebendo críticas dos EUA e Itália. Vejam esta resenha publicada pela revista Meta Música: "São dez faixas onde temos um amálgama de referências Progressivas e Folk, com uma passada por fontes Psicodélicas e Espaciais em poemas existênciais-extraterrenais (...) Letras instigantes, instrumental preciso, e criativas harmonias costuradas por belas vinhetas fazem desse cd do Haddad - com suas canções/baladas de fôlego - um acontecimento a ser comemorado...". O caráter progressivo do disco iria atrair a atenção da Rock Symphony, empresa especializada em bandas de rock progressivo, que inicia a partir de DAHB uma parceria com banda, distribuindo os cds do Haddad no exterior, onde esse tipo de música tem um público mais amplo.
Dois anos depois, portanto em 1999, sai o disco "Orion", feito praticamente sozinho pelos dois irmãos Haddad, sem a ajuda de outros músicos. Orion avançou ainda mais no ambiente progressivo, com várias orquestrações e sintetizadores a la pink floyd. O disco tem uma conotação mais bucólica que os anteriores (o que de modo algum o prejudica), estando recheado de baladas ("Desobediência karmica", "Roda da história"), belas peças instrumentais ("Palácio de espelhos", "Farewell blues") e pequenas suítes ("Sweet, a folha seca", "Prelúdio do ópio"). Destaque também para o rockaço "Far From Home".
Em 2001, é lançado “Blue Notes”, uma volta as origens banda, dos tempos de "Haddad" e "Blues e outros bichos", inclusivee com a volta da formação clássica. Blues e baladas dão a tônica do disco, sempre muito bem trabalhados, com letras e arranjos inteligentes. Destaque para as faixas "Rock 'n' roll", "Lord", "Urbanóia", "Sobre os Vampiros e seus Mortos vivos", "Poesia clara", "Sonhos" e para a regravação de "In the Court of the Crimson King" do grupo de rock progressivo inglês King Crimson.
"Ars Longa vita Brevis", do latim: "arte eterna, vida breve", sexto disco da banda, lançado no ano de 2003,  retoma a veia progressiva no que ficou conhecido como o melhor trabalho da banda, inclusive no que tange à produção. Sai Eric Carvalho da bateria e entra Sérgio Mello, músico amplamente reconhecido como um dos melhores bateristas do país. Nesse disco, a banda se sente livre para experimentar mais em termos de composição, o que gera um belo disco com um toque da música do Yes, Genesis e Supertramp. A Rock Symphony fez a ponte entre a banda Haddad e a distribuidora italiana Musea, que fez chegar “Ars Longa Vita brevis” a todo o continente europeu, EUA, Rússia e até mesmo oriente médio.Destaque para a faixa-título, "Redissh Bonfire", "Sierra Maestra", "San Francisco Bay", "Ismália" (inusitada "parceria" entre Leandro Haddad e Alphonsus de Guimaraens) e "Dança das Águas".
Em 2009, a banda lançou seu 7° cd, "Eros e Thanatos". Tão bom quanto os anteriores.



INTEGRANTES:
Leandro Andrade Haddad (guitarra e vocal)
Paulo Henrique Avidos Pelissari (Guitarra, Violão, Piano, Teclados Eletrônicos e Vocal)
José Haddad Filho (Saxofones alto e tenor, clarinete e piano)
Eric José Pinto de Carvalho (bateria)
Rubens Geraldo Oliveira Mattos (Contrabaixo, Guitarra, Violão e Cavaquinho)
Gustavo Andrade Haddad (Piano, teclados eletrônicos e vocal)



DISCOGRAFIA:
(1988) GUSTAVO HADDAD (LP)
Lado 1
1 - Por onde vagam os sonhos
2 - Dança das águas
Lado 2
1 - Praia do Canto
2 - Gritos e escritos de um rato mor
3 - Pequena ave azul
4 - Ninho do dragão






(1991) HADDAD
1. Para Gary Moore (Leo/Gustavo Haddad)
2. Chuck Rocker (Leo/Gustavo Haddad)
3. Meninos de rua (Gustavo Haddad)
4. Canção da Palestina (Gustavo Haddad)
5. Dia (Leo/Gustavo Haddad)
6. Charles Fourier (Gustavo Haddad)
7. A minha história é o absurdo, baby (Gustavo Haddad)
8. Jill (Gustavo Haddad)
9. Vômito bêbado (Gustavo Haddad)
10. Twilight zone (Gustavo Haddad)




(1997) BLUES E OUTROS BICHOS
1. Madness (Gustavo Haddad)
2. Por que é sempre assim? (Leandro Haddad)
3. Confuso carneiro (Gustavo Haddad)
4. Mais-valia genética (Gustavo Haddad)
5. Guerra (Gustavo Haddad)
6. Camburi blues (Gustavo Haddad)
7. I'm leaving you (Gustavo Haddad)
8. Prece (Leandro Haddad)
9. Vida (Gustavo Haddad)
10. Sunset Boulevard (Gustavo Haddad / Paulo Pelissari)
11. Mankind (Gustavo Haddad)



(1997) DEUSES, ANJOS HOMENS & BESTAS
1. Metatron
2. Recordações de outro mundo
3. Pedra do lagarto
4. Se o céu não tem almas para nos dar
5. Arcanjo Gabriel
6. O Eu dividido
7. O vazio abençôa, Axxel
8. Everglades
9. Vidacidente feliz
10. O archaeopteryx




(1999) ORION
1. Prelúdio do ópio / Ópio da razão insuficiente
2. Desobediência kármica
3. Orion
4. Roda da história
5. Far From Home
6. Abnormal
7. Sweet, a folha seca
8. Palácio dos espelhos
9. Farewell blues
10. Onion Stone (Por onde vagam os sonhos)
11. Delirium



(2001) BLUE NOTES
1 - Rock 'n' Roll 
2 - Stronger
3 - Abracadabra
4 - Lord
5 - Falsos Faustos
6 - Home Sweet Home
7 - Urbanóia
8 - Victim of Love
9 - Capitis Diminutio
10 - Brave New World
11 - Sobre os vampiros e seus mortos-vivos
12 - Poesia Clara
13 - Gritos e escritos de um Rato-mor
14 - Sonhos
15 - The House
16 - The Court of Crimson King


(2004) ARS LONGA VITA BREVIS
Sexto CD da banda capixaba, que mostra revitalização em seu trabalho, sem deixar de lado as boas características: riffs de guitarra, timbres de teclado e a poesia, a grande marca registrada da banda. O disco é metade instrumental, metade cantado, com letras em português e inglês onde os irmãos Haddad mostram-se como excelentes compositores. A grande diferença reside na bateria: Sérgio Melo mostra porque é um dos melhores do gênero no Brasil.
1. Ars Longa Vita Brevis
2. Roma Atômica
3. Pinky's Boogie
4. Reddish Bonfire
5. Sierra Maestra
6. Saara
7. Trianon
8. San Francisco Bay
9. Ismália
10. Dança das Águas
http://www.youtube.com/watch?v=aYpO1jrqI_0


(2009) EROS E THANATOS
CD 1
01-Deuses, anjos, homens & bestas
02-Solidão
03-A colônia dos cybermen
04-Liberdade, cedo ou tarde
05-Fluidos rituais
06-O executor
07-Viena flashbacks
08-Punk baby lou
09-Eros & Thanatos
CD 2
01-Se o céu não tem almas para nos dar
02-Horizontes
03-Alright
04-A dança da viúva negra
05-Raios da centaura
06-joie de vivre
07-Rotina
08-Brither John
09-O voo da feiticeira
10-Twilight zone



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EDIVAN FREITAS

Com mais de 15 anos de carreira, o artista sintetiza composições elaboradas a partir da diversidade de gêneros que cruzaram sua trajetória: samba, bossa nova, ritmos nordestinos, toadas regionais, Clube da Esquina, pop-rock da década de 80, música instrumental brasileira e jazz. "É um álbum totalmente autoral, feito com músicas compostas por mim ao longo de 14 anos. É um trabalho bem diverso", disse.
Graduado em Letras e Música pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e em Música Popular pela Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames), Edivan concilia a carreira de cantor, compositor e violonista com a de professor de literatura brasileira e musicalização infantil.
O cantor capixaba Edivan Freitas lançou "Andante", seu primeiro disco, no ano de 2011. Produzido por meio da lei municipal de incentivo à cultura João Bananeira, que possibilitou ao artista realizar este que é um dos grandes discos de MPB produzidos no Espírito Santo em 2011. O CD "Andante" já foi divulgado em municípios como São Gabriel da Palha, Marilândia, Santa Teresa, Bom Jesus do Norte e Viana. Uma miniturnê também foi feita em Vitória, Linhares e Cachoeiro de Itapemirim, em parceria com o cantor e compositor mineiro Sérgio Santos.
O seu primeiro CD, o qual certamente é um dos trabalhos mais representativos do cenário capixaba atual. O autor é oriundo de uma das cenas culturais mais efervescentes do estado, no caso, Cariacica. Compositor consagrado em Festivais nacionais, já foi gravado por nomes importantes, como Aline Pignaton, Marcela Lobbo e Turi Collura. Sua banda de apoio é formada por talentosos músicos: Andrey Junca (baixista do Tabacarana), Dori Santana (piano, Big Bat Blues Band), Anderson Xuxinha (bateria e percussões, ex-Java Roots) e Rodolfo Simor (produtor do disco, guitarrista do Solana).
"Consegui tocar meu disco em várias cidades, por meio de incentivos. Nos últimos dez anos, o cenário musical capixaba vem melhorando. Costumo dizer que as leis de incentivo são um presente para nós, uma grande força, mas não devemos nos escorar. É um pontapé inicial", destacou Edivan.
 “Andante” é repleto de samba, balada, rock, samba-rock, toada, jazz, entre outros. Por ter vários estilos, o álbum pode parecer sem unidade numa primeira audição. No entanto, depois de Marisa Monte, Zeca Baleiro, Lenine e Chicos, César e Sciense (referências dos anos 90 para o autor), isso não tem mais lógica. A unidade, nesses casos, era não ter unidade. Na verdade, o álbum expõe o ecletismo estudioso e sem preconceito do autor, amante das canções (sob qualquer roupagem) e da literatura.
Como toda primeira obra musical ou literária, “Andante” acaba sendo uma coletânea do que o cantor melhor produziu ao longo dos anos. E que coletânea! Já que o compositor tem anos de estrada e estudo (FAMES e UFES). Dito isto, não deixe de conferir este grande disco que já levantou poeira e fez muitos dançarem!



DISCOGRAFIA:
(2011) ANDANTE
O CD Andante é cria de Edivan, produzido e Arranjado por Rodolfo Simor, gravado e mixado por Raphael Herdye e foi planejado com o profissionalismo que sempre permeia suas apresentações. Quem conhece sabe da qualidade musical e sensibilidade que ele coloca em cada uma de suas canções.
01-“De Zica” – Um dos ótimos sambas do disco. É uma elegia a beleza negra. Bela homenagem. Aqui, leia-se “zica” como pessoa maneira, legal, suave, que só compra briga quando suas tradições são denegridas.
02-“Vira-lata” – Outro grande samba do álbum. Ao mesmo tempo em que o eu lírico se diz um nada, ele enaltece a missigenação. Desse modo, como a vida, o eu poético é finito, volátil.
03-“Samba, Suor e Samplers” – Samba-rock com pegada Lenine. O autor expõe que agora “o funk é a voz do morro”, fazendo referência a “Eu sou o samba”, de Zé Kéti, o qual um pequeno trecho é citado. Sem preconceitos, o funk é posto como algo válido e expressão de um povo.
04-“Do Riso” – Canção que remete Zeca Baleiro do disco “Líricas”. Bela toada. Bela letra em que há até intertexto com “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa. Destaque para o piano de Dori Sant’Ana.
05-“Andante” - Grande música que dá nome ao álbum. Metacanção ao estilo José Miguel Wisnik. Num tom melancólico, o compositor cita todos os estilos musicais que lhe fazem a cabeça.
06-“Berimbau Universal” – Ótimo rock. Destaque para a guitarra de Rodolfo Simor(produtor do disco e guitarrista do Solana). Aqui, tem-se um Edivan antropófago, dialogando com Carlinhos Brown, Baden Powell, entre outros, e expondo o instrumento angolano berimbau, elemento fundamental da nossa capoeira.
07-“Ala Perdida” – Ótima balada ao estilo Beatles (“Let it be”). A guitarra de Simor lembra muito Radiohead também. A letra é um poema. Com lirismo, o cantor consegue versar acerca de um drama, de um problema social sem ser piega ou panfletário.
08-“Em Mim” – Bela balada. A musa é algo local (em mim) e global (lugares do mundo), pois passeia pelo coração do poeta e por diversos lugares do mundo. A canção lembra muito Flávio Venturini, tanto em arranjo como em voz.
09-“Medida” – Canção com ares de jazz e blues. Letra e melodia perfeitas.Destaque para o piano de Turi Collura.
10-“Catraieiro” – Esta não é uma canção, é um hino. Poderia muito bem ser o hino de Vitória. É um clássico do cancioneiro do autor. A linda letra traz muitas referências (intertextos), tais como “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente, “A terceira margem do rio”, de Guimarães Rosa, entre outros.
11-“Vitral” – Canção filosófica sobre a vida e a morte. Dialoga com os problemas atuais, a história e a religião. Bela salada poética.



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quarta-feira, 26 de junho de 2013

LORDOSE PRA LEÃO

Lordose pra Leão surgiu em 1991 no Curso de Comunicação da UFES se tornou conhecido no ES por ser a primeira banda local a emplacar um sucesso em uma rádio comercial: Em 1992, a canção "Jullyetsh" ficou em primeiro lugar durante 2 semanas na extinta Rádio Capital (Rede Gazeta) e por dois meses a música esteve entre as 10 mais pedidas da emissora. 
O clima era de pura criação, anarquia, a Rádio Livre, muitas bebedeiras e euforia universitária. Adolfo Oleari e Alex Pandini ( ES Notícias), ambos exímios escritores, vagavam pelo campus à procura de músicos que dessem melodia às suas poesias. Não haviam restrições de estilo, ideologia, idade. Por esse grupo experimental, passaram pessoas de todos os gêneros musicais e os mais variados instrumentos, porém poucos disponibilizavam-se a comparecer ao segundo ensaio, devido à desordem em que se submetiam.
Nascia desse movimento, a banda mais anárquica que eu já vira. Os ensaios eram abertos a toda e qualquer pessoa disposta a dar a sua contribuição (ou não). As musicas não tinham início nem fim, nem nome, nem autor fixo, aliás, nada era fixo naquela época. Tudo era uma grande festa e a vida parecia ser um grande ensaio de banda. A única coisa certa era o nome da banda: Lordose Prá Leão.
Antes dessa tentativa, Adolfo havia feito um show, com a ajuda de uma banda já formada. O baterista era Márcio Vacaloca que voltaria à banda anos mais tarde.
A formação básica da banda aconteceu quando Serjão e Zé Renato matricularam-se no curso e foram convidados por Adolfo para uma "experiência musical". Serjão, Paraense, criado em Brasília, onde formou a sua cultura musical com o punk, super presente nessa cidade, chegava a Vitória para estudar. Logo foi notado, quando nas mesas dos bares da Lama, cantarolava e exibia a sua voz no melhor estilo Tim Maia, relembrando suas épocas de Karaokê em Brasília. Esse sabe muito sobre o rock nacional dos anos 80 e 90.
Zé Renato, ex-trompetista da Banda da ETEFES, defendia o cascalho em bandas de carnaval e bandinhas infantis, onde tocava fantasiado de Mickey, Tartaruga Ninja e outros heróis. Era (e ainda é) um compositor de mão cheia.Sandro estava meio parado depois do fim do Madian, quando Cidinho embarcou para os EUA, tocava na noite numa banda cover do Barão Vermelho. Topei a parada, porém achava que aquilo tudo era fogo de palha.
Rossini, baterista e André Moreira, guitarrista completaram o elenco.
O dia 25 de junho de 1992 foi um dia histórico. O pessoal da banda pegaram as tralhas, jogaram numa sala de aula do CCJE e fizeram um show para encerrar a Semana da Comunicação, que acontecia ali. O público entupiu a sala de aula e a banda foi ovacionada. Ali surgiu a música "Julieth” apelido dado ao professor que não quis emprestar os equipamentos do curso para tocarmos. E foi ali também, o ponto de partida para a ascensão da banda. No dia seguinte não se falava em outra coisa e logo o Lordose ficou conhecido entre toda a UFES. Éramos convidados para tocar em qualquer festinha de turma, pelos corredores, regadas a vinho.O público ria muito com as letras e nem se importava com a qualidade musical da banda, que era sofrível. Mas a verdade é que a banda agradava. Esse impulso inicial foi primordial para a banda avançar.
Em 1992, a canção "Jullyetsh" ficou em primeiro lugar durante 2 semanas na extinta Rádio Capital (Rede Gazeta) e por dois meses a música esteve entre as 10 mais pedidas da emissora.
Começaram a tocar em todo e qualquer lugar, onde éram convidados. Numa manifestação pró - impeachment do Collor (arg!), onde nos propomos a tocar. Parodiando a música do "Batmam", que diz: "Batmam, Batmam, Batmam", cantamos: "impeachment, impeachment, impeachment!" Essa brincadeira rendeu os nossos primeiros segundos na televisão, numa reportagem que foi ao ar nesse dia.
Continuaram trabalhando e o Lordose passou a repercutir na imprensa. Passamos a fazer shows maiores, como o Rock Lama II, que reuniu uma imensa multidão em Jardim da Penha.
Daí, a banda começou a sofrer mudanças freqüentes, porém sem parar de trabalhar e, aos trancos e barrancos, foi adquirindo postura profissional e maturidade. Somente Adolfo, Serjão e Zé Renato permanecem até hoje.
Sandro, em 1995, saí para formar o "Ilness" com os irmãos guitarristas Marcelo Maia ( atual Lordose) e Sandro Braga (atual Pé do Lixo), Demoner (também atual Lordose) e Júlio Ogro. Porém a banda dissolveu-se um ano depois. Quando o baixista que ocupava a vaga de Sandro do Lordose saiu, em 1996, chamaram-lhe de volta. Logo que Sandro entrou, Marcelo Maia, que havia tocado com o mesmo no Madian, Illness e no Albergue do Juvenal Blues Bang, ocupou lugar de guitarrista e Vaccaloca retornou à bateria. Essa formação gravou o CD "Os pássaros não calçam rua", que conta com algumas músicas que tocamos nesse primeiro show, na sala de aula. Foi uma formação que permaneceu em tempo - record sem mudanças e ficamos mais unidos do que nunca.
Em 98 o querido Vacaloca despediu-se da banda. Demoner, também velho companheiro de bandas, assumiu seu lugar, sem abalar as estruturas. Demoner, após o fim do Illness, partiu para a profissionalização. Tocou com nove entre dez músicos capixabas, todo o tipo de música e passou a estudar bateria com força. Atualmente, sossegou no Lordose e dá aulas de bateria.
Beto Trombose, trombonista, era um convidado que fazia os "naipes" junto com o Zé, mas conquistou seu lugar fixo na banda depois que largou o emprego para passar um mês em turnê pelo Nordeste. Trombose, assim como Zen já se vestiu várias vezes de Pato Donald, Smurf, Dino e outros, para divertir a criançada.
O Lordose já passou por experiências das mais diversas. Foram muitas brigas, shows mau sucedidos, mudanças que provocaram retrocesso da banda e até acidentes. Mas tudo é superável.
Das lembranças ruins, porém engraçadas, foi numa ocasião em que o Lordose foi tocar num clube em Maria Ortiz. Assim que começou o show, o público começou a vaiar e gritar: "funk! funk! funk!"... Fizeram o nosso show inteiro, sem nos importarmos com as vaias. Quase fomos linchados na saída. Não queriam deixar a banda sair sem tocar o funk que eles queriam. Foi barra!
Das boas, foi quando o Lordose abriu o show do Raimundos no Marista. Estávamos apreensivos, pois não pudemos passar o som, o produtor do show nos hostilizava a todo momento e o público gritava sem parar: "Raimundos!". Porém, quando o apresentador anunciou Lordose Pra Leão, o público não nos decepcionou. Ali eu senti o carinho e o apoio do público capixaba, que nos aplaudiu tanto quanto os Raimundos. Fizemos um puta show. O desrespeito ficou por conta do Produtor do show, o Sr. Alexandre Magno, que sumiu sem pagar o cachê da banda.
Musicalmente, o Lordose sempre foi uma grande salada. Sem nenhum preconceito, utilizávam os mais variados clichês, de todo e qualquer gênero. Somente com a formação que gravou o CD, que definimos algumas coisas como o peso quase constante das guitarras. A alegria sempre foi uma marca registrada. Estamos sempre pensando em fazer músicas alegres e festivas, desde o começo.
Demo-Tape de 1992
Depois da demo houveram várias outras sempre bem recebidas pelo público capixaba no começo da década de 90. Em 1996 lançaram o 1º CD , “Os Paralelepípedos não voam e pássaros não calçam ruas”, que rendeu uma turnê pelo país. Depois vieram “Todo mundo ta feliz aqui na terra” (2001) e alguns EPs, singles e versões cover, até que em 2003 lançaram “Lordose Live in Big Field…Piro que Merda!” anunciando que seria o último da carreira.
Em 2005, por insistência dos fãs, a banda anunciou seu retorno.
Há quase 20 anos que o Lordose Pra Leão faz um barulho em Vitória.  Entre idas e vindas, voltam à ativa com força total e um ótimo CD, batizado de “Tenho Que Vomitar Meu Cérebro”.  Planos de videoclipe, shows de lançamento e a vontade de tentar sair tocando pelo Brasil novamente, apesar da idade, triglicerídeos altos, gota e barriga - bem vindo ao peculiar mundo bizarro da boa musica feita no estado do Espírito Santo.
Com 20 anos de estrada, o Lordose pra Leão está de volta com a formação que gravou o 1º CD, mais o guitarrista Gean Pierre que gravou os outros 3 álbuns e Luciano Cruz no saxofonista, que integrou a banda na Turnê do 2º álbum. O próximo capítulo nesta trajetória será contado pelo Documentário que narrará os 20 anos do Lordose Pra Leão. O projeto, que também foi viabilizado através da Lei Chico Prego, é capitaneado pela Empresa Bossa Brasil, teve edição de Phillipe Grillo, Direção de Lizandro Nunes e foi lançado no 1º semestre de 2012.



INTEGRANTES:
Adolfo Oleari (Vocal)
Serjão (Vocal)
Zé Renato (Trompete e Voz)
Márcio Vaccalôca (Bateria e Voz)
Sandro Costa (Baixo)
Marcelo Maia (Guitarra)
Gean Pierre (Guitarra)
Luciano Cruz (saxofone)



DISCOGRAFIA:
(1992) UMA COISA RUIM (Demo-Tape)
01-Jullieth
02-Ananias e o Cavalo
03-Profecia



(1996) OS PÁSSAROS NÃO CALÇAM RUA
Em 1996 sai o 1º CD da banda "Os pássaros não calçam rua" que traz a participação especial de Zé Ramalho entoando "Ananias e o Cavalo" de autoria de Adolfo e Zé Renato. O estreitamento com o músico paraibano se deu por conta da releitura "Heavy Metal" de "Frevo Mulher" pela banda capixaba, versão que encantou Zé Ramalho.
01-O Paralelepípedo Não Voa
02-Jullyetsh
03-Tudo
04-Frevo Mulher
05-Homem Pássaro
06-Desencucaê
07-Ananias e o Cavalo
08-Dívida
09-José, o Corvo
10-A Festa do Leão
11-Filme de Terror
12-Viver de Renda
13-Governo de Tão Falso
14-Pedro Álvares
15-Macilentos Peitos
16-Sábado à Noite
17-Os Pássaros Não Calçam Rua


(2001) TODO MUNDO ESTÁ FELIZ AQUI NA TERRA
Em 2001 o Lordose lança "Todo Mundo está Feliz Aqui na Terra", o título do CD faz referência à inclusão neste disco de uma versão que a banda fez para a canção do músico cachoeirense Sérgio Sampaio. O 2º CD do Lordose pra Leão emplaca "Um Indivíduo (Melo do Paletó)" executada pela maioria das FMs capixabas. Neste mesmo ano a banda grava seu primeiro vídeo-clipe, "Lara", com direção do cineasta Lizandro Nunes. O 1º e 2º CDs do Lordose foram lançados graças ao apoio da Lei Rubem Braga (Lei de incentivo à Cultura da Prefeitura de Vitória).
01 - Bonifácio Bilhões
02 - Quase um poema:
03 - Todo mundo está feliz aqui na Terra
04 - Bido Ivo – Advogado astronauta motoqueiro boi
05 - Pathos – Patética Apatia
06 - Flautim e tuba
07 - Modelo de filme, comida de aerosol
08 - Somos nada que interessa
09 – Gugu
10 - Hoje não vai dar
11 – Lara
12 - Um indivíduo


(2003) PIOR QUE A MERDA – LIVE IN BIG FIELD
Em 2003, o Lordose Pra Leão gravou de forma "artesanal" um show realizado no Bar do Pantera, em Campo Grande, Cariacica. Conta com participações de João Moraes (Patuléia), Giuliano Ozzy (Porrada) e Dani Boy (Símios).
01-Dey Triuper
02-Feliz no Pantera
03-Lara Croft
04-Everifing
05-Bddêra
06-Homem Pássaro
07-Padaria
08-Viver de Renda
09-Frevo Mulher
10-Ananias e o Cavalo
11-California Ober Ales
12-Você Vai Se Salvar
13-Flautim & tuba (Tábua de maré)
14-Um Indivíduo
15- Sábado à Noite
16-Jullyetsh
17-Rual
18-Show de Calouros
19-Pantera Manda Embora!


(2010) EU TENHO QUE VOMITAR MEU CÉREBRO
“Tenho Que Vomitar Meu Cérebro” tem 12 faixas de muito rock anos 80/90 com influências de punk na música e nas letras, que em sua maioria têm o sarcasmo como linha principal. Pra fechar a fórmula, um trompete que cai muito bem nas músicas onde é colocado, como “Filme de Ação”.
O CD é prensado e o encarte é muito bonito, com 10 páginas e as letras de todas as músicas, todas escritas/desenhadas à mão em folhas de papel, o que deu um efeito bem legal, ainda mais com as várias cores de tinta que foram usadas para escrevê-las.
O único ponto negativo é que a maioria dos nomes das músicas e das letras foi escrita de forma embaralhada, como “Eu Tneho que Voimatr O meu Créebro”, o que no começo pode ser engraçado, mas depois atrapalha um pouco pra quem quer saber mais detalhes de cada faixa e da própria banda.
Destaco “Filme de Ação” e “Glaucoma”, a história de um cara chamado Glau que se depara com a sua mãe e uma colher de pau, dizendo “coma!”. Rá!
01-Eu Tenho Que Vomitar o Meu Cérebro
02-Filme de Ação
03-A Rosa
04-Profecia
05-Ciência do Amor
06-Uma Coisa Ruim
07-Nos Pés
08-Glaucomia
09-O Homem Cria Cão
10-Pernas Carnudas
11-Apenas a Beleza Interior
12-Mas eu Não Sou Roberto Carlos



VIDEOGRAFIA:
(2012) LORDOSE PRA LEÃO – OVÍDIO
Documentário de comemoração dos 20 anos do grupo capixaba Lordose Pra Leão. O filme tem 50 minutos de duração e conta com participação do cantor e compositor Zé Ramalho.







VÍDEOS:
LODOSE PRA LEÃO: Ao Vivo no Teacher's Pub Vitória 19/10/2010




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segunda-feira, 24 de junho de 2013

CHICO LESSA

Francisco José Viana Lessa nasceu em Vitória, Espírito Santo, em 12 de novembro de 1948. Filho de José Arimatéia de Almeida Lessa e Fani Viana Lessa, Chico foi criado com mais seis irmãos.
Aos 13 anos, influenciado por Beatles, Chico começa a tocar violão. Os estudos do instrumento e a convivência que ele trouxe acabaram por desembocar em um grupo musical. Junto com os amigos Tinho Natirone, Evandro e Fernando, Chico funda o Les Enfants, que toca em diversas casas de show de Vitória e interior do Espírito Santo.
Aos 17 anos muda-se para o Rio de Janeiro, onde passa a conhecer e a conviver com grandes músicos da MPB. Em uma das muitas reuniões musicais que Chico participou, presenciou a composição da belíssima “Amigo é pra Essas Coisas”, de Aldir Blanc e Silvio da Silva Junior. Os ares do Rio de Janeiro e os festivais que pululavam naquela época, despertam o lado compositor de Chico Lessa, que classifica uma música no Festival da Globo.  
Parceiro de Lô Borges e Toninho Horta, Chico Lessa estreou em festivais no ano de 1968, no Primeiro Festival de Música Popular de Vitória. No ano seguinte, participou no IV Festival Internacional da Canção (FIC), da TV Globo, e com a música “Passo Hoje” conquistou a classificação entre os 20 finalistas, entre os quais estavam Egberto Gismonte e Milton Nascimento. Em 1970, esteve mais uma vez entre os finalistas do FIC com a composição Vivências. A música foi defendida pelo grupo O Terço.
No disco do Som Imaginário de 1971, ao lado de Márcio Borges, Chico aparece com duas canções: “Você tem que Saber” e “Uê”. Em 1980, também ao lado do parceiro Márcio Borges, Chico participa do disco Os Borges com a canção “No Tom de Sempre”.
Em 1982 grava seu primeiro LP, que contou com a participação de um time de ponta da música popular brasileira. Grandes músicos como Maurício Maestro, Wagner Tiso, Heitor TP, Jacques Morelembaum, Zé Renato, Rubinho Batera, Léo Gandelman, Cláudio e Paulo Guimarães, Ricardo Silveira, dentre vários outros, fizeram parte deste belo trabalho independente. Em 1994 Chico lança o também independente “O Orifício é o que não tem Parede”.
Em 2006, Chico Lessa venceu um concurso realizado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), que declarou histórico o disco Chico Lessa, produzido de forma independente em 1983 com a participação de alguns dos maiores instrumentistas do País.
Hoje Chico vive em Vitória, Espírito Santo e, além de se apresentar na noite, atua em projetos culturais, dando aulas de violão e harmonia em comunidades carentes.



DISCOGRAFIA:
(1982) CHICO LESSA
01-Menina dos Olhos
02-Choveu
03-Me Pega, Me Larga
04-E o Bicho não deu
05-Bom de Doer
06-Terra Bruta
07-Às Vezes eu Fico Assim
08-Quebra Pedreira
09-Verões Azuis


(1994) O ORIFÍCIO É O QUE NÃO TEM PAREDE
01-Encontro Com Alípio
02-Este é o Meu Samba
03-É Assim
04-Chovendo no Saara
05-Dedé Caiano
06-Alma Rubro-Negra
07-Bar Sem Porta
08-Consentimento
09-Capricho de Mulher
10-Distração
11-Sorriso de Filha
12-Vadiando
13-Destilado no Bar
14-Matinê do Frianon





(2009) NO TOM DE SEMPRE
01-Cá entre nós
02-Ciúmes do rei
03-Puxando o trem
04-Poucas e boas
05-No tom de sempre
06-Mesmo assim
07-Vitória blues
08-Sinal verde
09-Groove do suá
10-Samba do caxinguelê
11-Seu fã
12-Veneciano ausente







OUTRAS MÚSICAS:
Locomotiva (homenagem ao clube Desportiva Ferroviária)


SITES:


Atrás do CD de 1994

Atrás do CD de 2009

sábado, 8 de junho de 2013

JULIANO GAUCHE e DUO ZEBEDEU: HOJE NÃO! (2009)

CD: HOJE NÃO! (2009)
O capixaba Juliano Gauche e o Duo Zebedeu, formado por Fábio do Carmo e Júlio Santos, gravaram doze canções de autoria do falecido compositor também capixaba Sérgio Sampaio. Entre essa dúzia de canções está Hoje Não, música inédita, que dá nome ao disco. 
É um disco primoroso, com violões muito bem tocados,  valorizando as belas composições de Sampaio. Autor do sucesso Eu quero Botar meu Bloco na Rua, lançado no início dos anos 70, ele tem outras canções conhecidas, como Cruel, gravada por Luiz Melodia. 

Faixas:
Não tenha medo não
Magia pura
Cruel
Homem de trinta
Brasília
Hoje não!
Pavio do destino
Nem assim
Polícia, cachorro, bandido, dentista
Real beleza
Filme de terror
Em nome de Deus


SITES:



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

JONATHAN SILVA


Se você um dia sonha em passear numa praça, ouvir uma música deliciosamente misturada, enquanto conversa com pessoas agradáveis, vê crianças e idosos rodopiando esta música e apontando os seus rostos felizes para um público que bate palmas para acompanhar o ritmo, isto já pode ser uma realidade.
Foi na Praça de Eventos do Sesc Vila Mariana que eu presenciei cenas semelhantes enquanto trabalhava e fotografava.
Bem, a música você encontra aqui, hoje, no Macarronada, agora, a praça, as pessoas e um dia feliz, você mesmo já pode começar a ensaiar, fechando os olhos e sentindo a cultura brasileira quase que primitiva resplandecer de dentro de você para qualquer ambiente em que você esteja.
Jonathan Silva é cantor e compositor capixaba. Lançou recentemente o seu primeiro álbum ‘Benedito’. Nele você encontra, congos, cirandas, jongos e ladainhas que nos remete a um clima de interior, da pureza da cultura popular.
Por ele mesmo, “tem um pouco da pegada do congo da minha terra, do Espírito Santo, tem um pouco da pegada do jongo, que eu conheci aqui em São Paulo, ciranda, então tem essa coisa bem forte da cultura tradicional brasileira, mas eu acredito que tem também um pouco do jeito de São Paulo, um pouco dessa coisa que é São Paulo, essa mistura, essa coisa urbana, então as coisas se cruzam nesse trabalho que é o Benedito e essa coisa meio solta, meio louca meio misturada que é São Paulo”. Com Jonathan Silva (Voz e violão), Filpo Ribeiro (rabeca, viola e voz) e Dani Zulu (percussão e voz).
Mas no seu macarrão de hoje você tem molho extra, é mais sabor para o seu prato de domingo. O braço direito de Jonathan Silva, Filpo Ribeiro, o violeiro desta trupe, deixa exclusivamente para a musicoteca, o seu trabalho solo “Pé de Mulambo – Segura essa munganga aí, Menino!” para você leitor que aprecia a verdadeira e diversa música brasileira.


RELEASE DO DISCO “BENEDITO”, DE 2009
Um disco que primasse pela simplicidade. Foi com esse preceito em mente que o capixaba Jonathan Silva produziu o delicado trabalho que acaba de lançar, Benedito, e que apresenta somente nesta terça-feira, 24, no Espaço Cultural É Realizações. Sua vinda a São Paulo há quase dez anos contribuiu para ampliar o leque de músicas populares brasileiras, aquelas conhecidas como músicas de raiz, que agora aborda no novo álbum.
Até então, Jonathan vinha revigorando o ritmo natural de sua terra, o congo (dança de origem africana, que se realiza geralmente na Festa de São Benedito, comemorada em dezembro no Espírito Santo) - o seu primeiro álbum, Necessário, de 1996, foi todo voltado a esse ritmo tradicional. Durante essa quase década vivida na metrópole, o compositor e cantor pôde conhecer mais a fundo outros gêneros que aqui fincaram raiz. "Me surpreendi com a riqueza da música tradicional de São Paulo: além do jongo, me envolvi com a ciranda, com os ritmos nordestinos presentes aqui. E isso só acrescentou ao meu trabalho", diz.
Em Benedito - que conta com a rabeca e a viola caipira de Filpo Ribeiro e percussão de instrumentos capixabas típicos, como o tambor e a casaca (reco-reco de cabeça esculpida) de Dani Zulu -, apenas uma composição não é de autoria de Jonathan. Trata-se de São Pedro e São Miguel, congo tradicional do Espírito Santo, de domínio público. As outras 15 faixas, entre elas, Ciranda para Janaína e Anjo Protetor (compostas em parceria com Kiko Dinucci), já caíram no gosto do público. "Quando tocamos no Ó do Borogodó (casa noturna da Vila Madalena), elas são as mais pedidas."
Assim como o novo disco, o show que o trio mostra na noite desta terça também prima pela simplicidade. No palco, apenas a essência de nossa brasilidade. "Queremos conservar essa vontade de se fazer e ouvir poesia", incita Jonathan. Participam especialmente deste show as cantoras Juçara Marçal, Lilian de Lima e Isla Jai, a flautista Luciana Rizzo e o baterista Gustavo Souza. Caia também na roda.

Fonte:
Texto de Lívia Deodato publicada no jornal O Estado de São Paulo, Caderno 2 – Junho de 2008



INTERNET:
jonathanvix64[@]gmail.com


DISCOGRAFIA:
(2009) BENEDITO
1.Desatadora de Nós
2. Ciranda Pra Janaína
3. Jogo da Manuela / Santo Antânio de Catingeró
4. Anjo Protetor
5. Divino Baião
6. Milone
7. São Pedro e São Miguel
8. Tempestade
9. Papel Sulfite
10. Aquela Coisa Que Doía
11. Encruzilhada
12. Sara Sereia
13. Casaca de Paletó
14. Farra / Amanhã é Dia Santo
15. Ladainha / Jogo de São Benedito
16. Janaína Preta